A Visão Cristã do Lazer – Pregação Completa

Essa mensagem foi pregada por mim no dia 26 de fevereiro de 2017. Aproveitei o feriadão de carnaval para falar, de forma introdutória, sobre a visão cristã do lazer (descanso, diversão, esportes, etc). No vídeo, o início da pregação foi perdido, algo em torno de 8 minutos que equivalem a parte da introdução no texto abaixo. Leiam e assistam!

Introdução

“Não há um único centímetro quadrado, em todos os domínios de nossa existência, sobre os qual Cristo, que é soberana sobre tudo, não clame “é meu!” (Abraham Kuyper)

Dizer que todas as áreas de nossas vidas estão debaixo do domínio de Deus significa dizer que devemos saber como viver em todas essas áreas segundo a vontade de Deus e para a sua glória. E isso não acontece naturalmente, pois o pecado ainda tem manchando nossa imagem de Deus. É preciso esforço intelectual e prático para viver segundo a verdade de Deus. Isso significa, em primeiro lugar, construir uma cosmovisão cristã. Como você enxerga o mundo ao seu redor? No nosso caso hoje, como você enxerga o lazer?

 Dentro desse cenário a afirmação de Leland Ryken é importante:

“O lazer moderno existe em um contexto amplamente secular. As discussões raramente tentam colocá-lo em um quadro de referência religiosa. A maioria das pessoas em nossa cultura buscam suas atividades de lazer sem um pensamento sobre a moralidade do que eles estão fazendo ou se é um bom uso do tempo. Dito de outra forma, as restrições de lazer da maioria das pessoas são restrições de tempo e dinheiro, não de consciência moral ou religiosa”*

Como então poderíamos definir o lazer? Nós faremos isso a partir de uma visão cristã ao longo da mensagem, mas é interessante ver rapidamente as principais visões sobre o lazer na história da sociedade**:

  • Na Grécia antiga havia uma alta visão do lazer. Por ser uma sociedade baseada na escravidão, o lazer era quase que exclusivo da alta classe, que dedicava esse tempo especial a atividades políticas e filosóficas. O lazer estava fortemente ligado ao aprender. A palavra grega para lazer é Skole de onde vem as palavras school e escola.
  • No império romano essa visão elevada do lazer continua, mas algumas mudanças são perceptíveis. A primeira delas é a transferência de um lazer mais intelectual e contemplativo para um lazer ligado a atividades. Essa mudança foi acompanhada como a massificação do lazer para abranger o máximo de pessoas possível.  E claro, houve uma politização do lazer, o famoso e até hoje utilizado pão e circo.
  • A idade média teve grande influência da igreja na sua visão de lazer. Por fatores históricos as atividades de lazer sofreram preconceito. No catolicismo da idade média isso se desenvolveu para uma posição que fazia separação entre as questões materiais e espirituais, demonizando a busca pelo prazer através de atividades de lazer. Essa prática contemplativa e inimiga dos prazeres físicos estava mais ligada ao trabalho religioso do que o próprio lazer.
  • No período da renascença e da reforma o lazer ganhou mais espaço. Não só as atividades físicas ou descanso, mas principalmente o lado mais intelectual como a arte, a música e a literatura. A visão dos puritanos se encaixa aqui, embora eles fossem mais rigorosos. Para o puritano, ao contrário de Aristóteles, o lazer existe por causa do trabalho (o lazer não é fuga do trabalho, mas preparação para mais trabalho), e atividades feitas só para passar o tempo eram consideradas perda de tempo.
  • Nos dias de hoje, depois da revolução industrial, o lazer se tornou mais utilitarista. Ele serve para satisfazer a necessidades do homem da forma mais rápida possível. Perdemos a questão da contemplação e da beleza no lazer. O videogame é um exemplo desse utilitarismo, mesmo que seja uma opção de lazer totalmente aceitável. Esse utilitarismo tornou o lazer num grande mercado e hoje vivemos nessa era do lazer, com destaque especial ao entretenimento tecnológico.

Em meio a toda essa história e desenvolvimento do lazer, como a Palavra de Deus pode nos ajudar a construir nossa visão bíblica do lazer?

Lazer como criação de Deus

Gênesis 2.2 “No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou”

O ato do descanso de Deus é algo interessante. Você já se perguntou por que Deus descansou? Ele não estava cansado (Deus não se cansa). Ele não precisava recarregar as energias para continuar criando. O que Deus estava então fazendo?

Minha primeira resposta é que Deus estava deixando um padrão para ser imitado. Efésios 5.1 nos ordena a sermos imitadores de Deus, portanto, Deus estava instituindo o lazer como parte essencial da humanidade. Na sua criação de 6 dias de trabalho e 1 de descanso Deus deixou um padrão e uma verdade. O lazer deve fazer parte das nossas vidas.

Gênesis 2.3 “Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação”

O dia ou momento do lazer instituído por Deus não é um momento qualquer. É interessante notar que há algo especial dito sobre esse dia que não é dito sobre os demais. Deus abençoou e santificou o sábado.

  • Abençoar: Quando Deus abençoou o sábado Ele estava abençoando a atividade que o sábado representa. Isso significa que essa atividade de lazer é uma atividade abençoadora, nós somos abençoados por meio do descanso e do lazer instituídos por Deus.
  • Santificar: Deus santificou o sábado e para ser um momento de lazer separado e especial para contemplar, aproveitar e se satisfazer na obra de Deus e no Deus da obra. É um momento santo de usufruir da criação e adorar o Criador.

O fato de Deus ter descansado revela esse aspecto contemplativo da criação. A cada dia de criação Deus olhava para o que tinha feito e via que estava bom. No último ao olhar para o homem e para todo o resto ele viu que estava muito bom. O descanso de Deus também pode ser entendido como o contemplar a obra de suas próprias mãos e ver que tudo aquilo era muito bom e lhe rendia glória. Nós como criaturas devemos fazer o mesmo para com ele. O texto dos 10 mandamentos sobre o sábado deixa essa questão mais clara:

Êxodo 20.8-11 “Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo. Trabalharás seis dias e neles farás todos os teus trabalhos, mas o sétimo dia é o sábado dedicado ao Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teus filhos ou filhas, nem teus servos ou servas, nem teus animais, nem os estrangeiros que morarem em tuas cidades. Pois em seis dias o Senhor fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles existe, mas no sétimo dia descansou. Portanto, o Senhor abençoou o sétimo dia e o santificou”

Nós podemos tirar 4 princípios para nossa vida em relação ao lazer desse texto***:

  1. Devemos lembrar e manter esse padrão de Deus.
  2. Devemos mantê-lo santificado, são momentos especiais dedicados ao Senhor.
  3. Não deve haver jeitinhos ou dribles nesse padrão. Realmente devemos interromper o trabalho e verdadeiramente desfrutar do lazer para a glória de Deus
  4. Devemos sempre lembrar do padrão que Deus deixou. Existe o tempo de trabalhar e de descansar. Nenhum dos dois está embaixo do outro. (Aristóteles x Puritanos)

Portanto, podemos definir o lazer a partir de uma visão cristã como um tempo santo instituído por Deus para atividades abençoadoras não obrigatórias em relação ao trabalho com os objetivos de desfrutar a criação e adorar o Criador.

Lazer como reflexo da imagem de Deus

O homem é o portador da imagem de Deus. E como imagem nós temos o dom de fazer em certa medida aquilo que Deus fazer. Ele compartilhou conosco certos atributos. E como portadores da imagem do criador nós também temos a capacidade de criar.  Deus nos deu uma criação e a capacidade de criar a partir dela para aproveitá-la. Vejam o que Emílio Garofalo, pastor presbiteriano, escreveu sobre isso:

“O homem é criativo, pois Deus é criativo e transmitiu esta habilidade ao homem. O homem só é capaz de criar dentro das fronteiras do que Deus fez e estabeleceu dentro do campo de possibilidades. Esse desejo de criar geralmente é associado às artes, mas também é visto no lazer e na ciência. Quando pessoas criam jogos e brincadeira, estão exercitando esse aspecto da imagem de Deus, fazendo realidades subcriadas”****

A criatividade em torno do lazer é uma marca da imagem de Deus. Para sairmos da rotina do trabalho e cumprirmos o padrão de Deus para o descanso nós criamos. Prestem atenção no futebol por exemplo. Ele é uma realidade criada que tem o seu mundo (estádio/campo), suas leis (regras), a autoridade (juiz), as pessoas (jogadores), objetivos (gol) e punições por quebrar as leis (faltas e cartões). É uma imagem da criação de Deus. Assim é com todos os esportes. Deus deu a Adão e Eva a capacidade de criar e, com exceção de uma única árvore, eles poderiam aproveitar todo o resto da criação, até mesmo os animais que ainda se relacionavam amigavelmente conosco antes do pecado. Lazer e diversão são marcas do padrão de Deus e da imagem de Deus!

Podemos definir o lazer a partir de uma visão cristã como um tempo santo instituído por Deus para atividades abençoadoras não obrigatórias em relação ao trabalho com os objetivos de desfrutar a criação e adorar o Criador.

Lazer manchado pelo pecado

Nem tudo são flores no nosso lazer. E isso se deve ao pecado. A queda nos tornou pecadores. Todos nós somos totalmente depravados e isso significa que todas as áreas de nossa vida foram manchadas pelo pecado. Não fazemos nada como realmente deveríamos fazer, principalmente glorificar a Deus como ele realmente merece. Nosso lazer está incluído nessa realidade. Não descansamos como deveríamos descansar e não glorificamos a Deus no descanso como ele merece ser glorificado. Duas são as grandes marcas da nossa natureza pecaminosa: Idolatria e imoralidade.

Romanos 1.21-26 “porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis. Por isso Deus os entregou à impureza sexual, segundo os desejos pecaminosos dos seus corações, para a degradação dos seus corpos entre si. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram a coisas e seres criados, em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém. Por causa disso Deus os entregou a paixões vergonhosas”

Paulo está repetindo duas vezes os mesmos efeitos da queda em relação de causa e consequência. Nós substituímos o Deus verdadeiros por algo da criação e isso nos leva a imoralidade dos nossos próprios maus desejos. Com o lazer acontece o mesmo. Substituímos o Deus verdadeiro pela forma de lazer subcriada e nos deixamos dominar pelos desejos pecaminosos dentro desse lazer.

No Brasil o futebol é um grande exemplo disso:

  • Idolatria: devoção ao time, gasto de dinheiro e de tempo, substituição do culto.
  • Imoralidade: palavrões, mentira, violência, falta de controle.

Essa é a realidade, embora ainda sejamos a imagem de Deus essa imagem foi manchada pelo pecado. Isso significa que nosso lazer foi afetado e que, portanto, não podemos aproveitar tudo da forma como queremos ou que o mundo apresenta, pois nossos desejos e os desejos do mundo em geral são maus. A presença do pecado deve nos fazer cautelosos diante das inúmeras possibilidades de descanso, lazer e diversão.

Eclesiastes 11.9 “Alegre-se, jovem, na sua mocidade! Seja feliz o seu coração nos dias da sua juventude! Siga por onde seu coração mandar, até onde a sua vista alcançar; mas saiba que por todas essas coisas Deus o trará a julgamento”

Lazer redimido pelo evangelho

A boa notícia para o nosso lazer é que Jesus Cristo viveu, morreu e ressuscitou para a nossa salvação e redenção. Fomos libertos do domínio do pecado. O evangelho nos foi dado para mudar toda a nossa vida em Cristo. Sobre nossa redenção precisamos pensar sobre duas verdades bíblica:

  • Jesus é a imagem de Deus (Cl 1.15) e sua expressão exata (Hb 1.3).
  • Fomos chamados e predestinados para sermos semelhantes a Cristo (Rm 8.29).

A conclusão é que o evangelho nos salva para sermos semelhantes a Cristo, que é a imagem de Deus. Ou seja, o evangelho está restaurando a imagem de Deus em nós. Ele está tirando as manchas do pecado até que estejamos refletindo a imagem de Deus de maneira pura e plena. Quanto mais evangelho em nossas vidas menos manchas de pecado temos em todas as áreas das nossas vidas. Se o lazer é o padrão de Deus e reflexo da sua imagem, então ele deve ser redimido pelo evangelho em nós. O próprio Jesus nos dá o exemplo em relação ao descanso e lazer:

Marcos 6.31-32 “E ele lhes disse: vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham. Então foram sós no barco para um lugar solitário”

Em resumo, o que vimos até agora foi que o lazer é um tempo santo instituído por Deus para atividades abençoadoras não obrigatórias em relação ao trabalho com os objetivos de desfrutar a criação e adorar o Criador. Esse tempo e atividade foi manchado pelo pecado, torando o lazer numa tentação para a idolatria e a imoralidade, mas o evangelho está nos redimindo e restaurando a imagem de Deus em nós, inclusive no lazer. Agora precisamos ir para algumas aplicações práticas.

Aplicações

Descanso e lazer não são pecaminosos: O lazer é criação e padrão de Deus, portanto, não é pecaminoso, nem de menos importância e muito menos uma perda de tempo. Devemos tirar esse conceito de lazer como apenas servindo para nos preparar para o trabalho. Lazer é contemplativo e glorifica a Deus acima de tudo.

Não descansar e desfrutar de lazer é pecaminoso: Quando negamos o lazer ou não damos importância para ele estamos pecando pela fuga da criação e do padrão de Deus. Ele não nos criou para uma vida de vício em trabalho e de trabalho ininterrupto. Estar sempre ocupado e trabalhando não é uma virtude. Hoje em dia muitos acham que esse tipo de vida é uma vida de sucesso, mas fugir do padrão de Deus não é sucesso de forma nenhuma.

O lazer não é neutro: A prática do lazer não é neutra em relação ao pecado e a Deus. Embora possamos não pensar assim, agimos muitas vezes como se fosse. O que quero dizer é que o lazer não nos permite transgredir a lei de Deus e trair moralmente nossa consciência como se fosse um momento de menos moralidade. Não há espaço para a imoralidade no lazer cristão. Pecado é pecado, com a mesma gravidade, sendo feito durante o lazer ou trabalho, no estádio ou na igreja.

Sobre a idolatria é bom lembrar que o lazer por si só nunca satisfará nossos corações. Só há alegria e prazer eternos em Deus e no seu evangelho: “na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Sl 16.11). Não devemos procurar a satisfação as atividades do lazer, mas no seu criador.

Redimir o lazer é deixar o pecado para ser mais semelhante a Cristo: É saber discernir e aproveitar aquilo que de bom, santo e verdadeiro nós temos para o lazer. Mesmo pecadores ainda somos a imagens de Deus. Vou dar o exemplo do lazer na perspectiva histórica que falei no começo para retermos o que é bom:

  • Gregos: lazer como tempo para aprendizado
  • Romanos: lazer para todos e como atividade
  • Medievais: Preocupação com a santidade no lazer
  • Renascença e reforma: Importância das artes e literatura
  • Hoje: lazer como fonte de benefícios

Eles acertaram em alguma coisa, como a humanidade hoje acerta em várias em relação ao lazer. Não precisamos de lazer gospel, mas como cristão redimidos podemos desfrutar dos lazeres apropriados de forma santa.

Você pode oferecer seu lazer para a glória de Deus? Em meio a cultura e suas opções de lazer, você pode responder essa pergunta positivamente? 1 Co 10.31 nos diz para fazer qualquer coisa para a glória de Deus. Será que antes de iniciarmos nossa prática de lazer podemos orar e dedicar aquele momento a Deus? Com esse princípio em mente e o amor e temor a Deus no coração podemos desfrutar livremente do lazer!

Vamos encerrar com a oração que Charles Swindoll escreveu sobre o lazer:

“Tu nos criaste como seres livres, para pensar e descansar, e não como escravos acorrentados a um horário rígido. Capacita-nos a nos libertarmos. Mostra-nos a maneira de nos livrarmos. Dá-nos coragem de começar hoje, e a esperança de continuarmos descansados amanhã… e no dia seguinte… e nos outros dias…

Faz vir para fora aquela criança que está lá dentro de nós. Mostra-nos outra vez os sons, os perfumes, os cenários deste lindo mundo dentro do qual nos colocaste. Convence-nos da necessidade das amizades, do riso e do deslumbramento. Reúna novamente os pedaços de nosso mundo.

Que nos tornemos pessoas iguais ao teu filho, comprometidos com o mais elevado padrão de excelência que existe e com toda a devoção à tua vontade, mas ainda assim de fácil convivência, com paz interior e separando momentos para o lazer. É no poderoso nome dele que oramos. Amém”*****

Pedro Pamplona

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* RYKEN, Leland. Redeeming the Time: A Christian Approach to Work and Leisure. Baker Books, 1995.

** Retirado e resumido do mesmo livro de Leland Ryken.

*** Retirado de: PIPER, John. Remember the Sabbath Day to Keep It Holy [post online]. Link: http://www.desiringgod.org/messages/remember-the-sabbath-day-to-keep-it-holy

**** GAROFALO, Emílio. A Busca Humana da Diversão Sob a Ótica Bíblica de Criação-Queda-Redenção. Fides Reformata XVI, Nº 2 (2011): 27-49

***** SWINDOLL, Charles. Firme Seus Valores. Editora Betânia, 1995. (ver capítulo sobre lazer)

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2 Comments

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  1. Daiane dos S. Freitas março 8, 2017 — 3:06 pm

    Excelente texto! Esclarecedor !!! Que o Senhor continue te usando e capacitando!

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  2. Assisti todo o vídeo e a sua abordagem sobre o lazer foi muito enriquecedora.
    Parabéns!

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